Setor da construção vê com preocupação nova escalada nos preços de insumos

 Setor da construção vê com preocupação nova escalada nos preços de insumos

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) acompanha com preocupação a sinalização de aumento nos custos de insumos a ser aplicada a partir de abril por empresas fornecedoras do setor. A nova onda de reajuste de preços é atribuída aos efeitos das turbulências globais que impactam os preços do petróleo, repetindo movimento observado durante a pandemia da covid-19: combinada à revisão tarifária desencadeada pelo governo federal, a escalada dos preços de insumos reflete diretamente na indústria da construção.

Há indicativo de reajuste nos preços do cimento, argamassa e outros insumos essenciais para o setor. O aumento do Imposto de Importação sobre a resina de polietileno, PVC e demais derivados, pauta da reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX-CAMEX) desta quinta-feira (26/03), impacta sobremaneira o preço do derivado que talvez seja o único utilizado em todas as etapas da construção civil, da fundação à entrega da obra, os plásticos em geral e o PVC em particular.

No caso do PVC, o produto é a base principal das instalações elétricas e hidrosanitárias de uma obra, notadamente as tubulações. Para que se tenha uma ideia, o peso apenas desta etapa da obra na curva ABC varia, com base no custo do CUB, de 6% a 9% em construções de habitação de interesse social; de 7% a 11% na de alto padrão. No momento em que o governo federal estabelece a meta de entregar 3 milhões de residências no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) até o final do ano, o alcance desse objetivo torna-se desafiador.

A CBIC alerta que também nas obras de saneamento é esperado forte impacto negativo, já que hoje o PEAD, um dos derivados da resina, vem ocupando mais espaço frente às históricas tubulações de concreto e ferro fundido. Além de terem desempenho e vida útil comparável senão superior, são muito menos custosas e mais seguras de serem adotadas em virtude de menos peso e próprio e mais facilidade de instalação, o que reduz a quantidade de mão de obra e equipamentos utilizados e o volume de escavação e retirada do solo, portanto, menor degradação do meio ambiente.

Por fim todo o efeito negativo apresentado é agravado pelo fato de a produção interna da resina ser monopolizada por única empresa e não haver possibilidade de o Brasil encontrar outro fornecedor externo que não os Estados Unidos – as guerras em andamento inviabilizam o comércio com eventuais parceiros da Ásia e Oriente Médio. O GECEX também decidiu pela imposição de sobretaxa nos produtos americanos e canadenses, o que restringe ainda mais a solução.

Para a entidade, a combinação da conjuntura internacional com a disponibilidade do mercado interno exige medidas de apoio ao setor produtivo, de forma a minimizar os efeitos das turbulências e evitar uma escalada de preços que colocará em risco obras espalhadas por todo o país.

Fonte: CBIC

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