Redução da jornada pode elevar custo da construção em até 15%
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em até 15% o custo da mão de obra na construção civil, segundo estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O impacto pode chegar a R$ 20,3 bilhões por ano.
O estudo, elaborado pela economista Ieda Vasconcelos com base na RAIS 2024, aponta aumento de 10% no valor da hora trabalhada, que passaria de R$ 15,01 para R$ 16,51. Micro e pequenas empresas, que representam 98,7% do setor, seriam as mais afetadas.
A construção civil emprega cerca de 3 milhões de trabalhadores formais e movimenta uma cadeia de 13 milhões de pessoas.
Para compensar a redução da jornada, o setor teria três alternativas: reduzir o ritmo de atividade, contratar novos trabalhadores ou ampliar horas extras.
A contratação exigiria 288 mil novos profissionais, com custo adicional de até R$ 13,5 bilhões ao ano. Já a adoção de horas extras poderia elevar os gastos em até R$ 20,3 bilhões anuais.
Além disso, o setor já enfrenta aumento de custos acima da inflação e escassez de mão de obra.
O impacto tende a ser maior na habitação popular, onde a mão de obra representa quase 60% do custo, podendo pressionar preços e dificultar o acesso à moradia.
