Excesso de oferta é o maior problema da indústria siderúrgica

O cenário enfrentado pela indústria siderúrgica mundial continua ruim devido a excesso de capacidade de produção, que supera em 600 milhões de toneladas a demanda atual, o que faz com que as empresas do setor venham perdendo caixa desde 2009 – auge da crise econômica internacional. A avaliação foi feita no dia 24 de março pelo presidente da Gerdau, André Johannpeter, na reunião-almoço do Sinduscon/RS, realizada na sede da entidade quando destacou que o panorama setorial no Brasil é similar, levando as usinas a operarem com a utilização de cerca de 72% de sua capacidade, quando o ideal seria de 85%. O problema é agravado pelo elevado Custo Brasil e o câmbio desfavorável, que gera a desindustrialização, fazendo com que a importação de aço sob a forma de matéria-prima e de produtos acabados atinja a 9 milhões de toneladas/ano, representando praticamente um terço do consumo interno de 27 milhões de toneladas anuais. O baixo crescimento do PIB brasileiro também tem sua responsabilidade no desempenho modesto do setor, de acordo com o palestrante. A produção brasileira de aço decresceu 1% em 2013 mas em 2014 deverá aumentar 5,2% e o consumo, que teve incremento de 5% no ano findo poderá ter elevação de 4,0% no ano corrente. O consumo per capita de aço no Brasil, de 127 quilos/ano, perde feio para a média mundial de 217 quilos e esta situação só irá ser revertida se forem implantadas as reformas estruturais nas áreas tributária, trabalhista e burocrática para que haja a efetiva redução do custo Brasil e ocorra o aumento da poupança interna para investimentos, que hoje corresponde a apenas 17% do PIB. Na visão do palestrante, a ampliação dos investimentos deverá ser canalizada principalmente para corrigir os gargalos da infraestrutura e da logística, permitindo a elevação dos níveis de competitividade da atividade produtiva e a indústria do aço do Brasil está dimensionada para atender o crescimento da demanda do insumo. “Não haverá falta de aço”, resumiu.

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