Construção mantém projeção de crescimento de 1,2% em 2026, apesar da alta dos custos

 Construção mantém projeção de crescimento de 1,2% em 2026, apesar da alta dos custos

Mesmo diante dos juros elevados e da pressão dos custos, a construção civil deve manter crescimento de 1,2% em 2026, segundo projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A expectativa é sustentada principalmente pelo avanço das obras de infraestrutura e pelos lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos, que continuam repercutindo sobre a atividade do setor. Desde o primeiro trimestre de 2022, quando a taxa básica de juros voltou ao patamar de dois dígitos, os juros elevados aparecem entre os três principais problemas apontados pelos empresários da construção. A Selic em nível elevado, o aumento dos custos da construção e a redução das expectativas positivas limitam uma expansão mais forte da atividade.

Por outro lado, a infraestrutura vem ganhando ritmo e ajudando a sustentar o desempenho do setor. Os investimentos e projetos decorrentes de leilões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e do novo marco legal do saneamento começam a produzir efeitos mais expressivos sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho. Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor demonstra capacidade de crescimento mesmo em um ambiente econômico mais desafiador. “Os juros elevados e o aumento dos custos continuam limitando um avanço mais forte da construção. Mas temos, por outro lado, um mercado de trabalho que segue positivo, obras de infraestrutura ganhando ritmo mais forte e os efeitos dos lançamentos imobiliários dos últimos anos. São fatores que ajudam a sustentar a atividade e, por isso, mantemos nossa expectativa de crescimento de 1,2% para a construção em 2026”, afirma.

Custo da construção supera inflação, com pressão maior sobre materiais

A elevação dos custos permanece como um dos principais desafios para a construção. O Custo da Construção Brasil, calculado pela CBIC com base nos Custos Unitários Básicos (CUBs) estaduais, acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho de 2026. O resultado ficou acima do IPCA, que registrou inflação de 4,64% no mesmo período. Entre os componentes do custo, os materiais apresentaram alta de 7,92%, enquanto o custo da mão de obra avançou 6,33%.

Os dados do CUB mostram como a pressão sobre os preços chega diretamente às obras. O indicador acompanha a evolução dos valores de materiais, mão de obra e outros componentes da construção e serve como referência para medir a variação dos custos do setor. Alguns insumos registraram aumentos significativamente superiores à inflação oficial. O fio de cobre teve alta de 21,35% no preço médio nacional nos 12 meses encerrados em junho. Outros materiais e componentes importantes para as obras também registraram aumentos de dois dígitos no período. Porta interna, bancada de pia, tubo de PVC-R rígido, fechadura, cimento, esquadria de correr e registro de pressão ficaram mais de 10% mais caros.

A alta dos insumos, portanto, segue pressionando os custos dos empreendimentos e reduzindo o espaço para uma expansão mais acelerada da construção. Ainda assim, o desempenho do mercado de trabalho e o avanço de segmentos como a infraestrutura contribuem para manter o setor em trajetória positiva.

Infraestrutura impulsiona geração de empregos

O mercado de trabalho é um dos principais sinais de sustentação da atividade. No primeiro semestre de 2026, a construção civil registrou crescimento de 6,52% no saldo de novos empregos do Novo Caged em relação ao mesmo período de 2025.

O destaque foi a infraestrutura. Entre janeiro e junho, o segmento registrou saldo positivo de 64.793 vagas, alta de 30,26% na comparação com as 49.741 vagas abertas no primeiro semestre do ano passado. A Construção de Edifícios apresentou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho, resultado 2,19% inferior ao registrado no primeiro semestre de 2025.

Em junho, a construção civil alcançou 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país, crescimento de 3,16% em relação ao mesmo mês de 2025. Dos 168.962 novos postos de trabalho gerados pelo setor no período, 48,82% foram ocupados por pessoas entre 18 e 29 anos. A geração de empregos também ocorreu de forma disseminada pelo país.

Os indicadores foram apresentados no dia 13 de agosto em coletiva pelo presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, pela economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, e pelo gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo.

Assista a coletiva na íntegra.

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