Mercado imobiliário de Porto Alegre registra alta nas vendas e redução do estoque em julho
Vendas avançam 20% em relação a junho, enquanto lançamentos recuam e estoque de imóveis cai 8%.
O mercado imobiliário residencial vertical de Porto Alegre apresentou, em julho de 2026, um cenário marcado pelo avanço das vendas, pela retração dos lançamentos e pela redução do estoque de imóveis disponíveis. Os dados do Panorama do Mercado Imobiliário de Porto Alegre, elaborado mensalmente pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan e Órulo.
Em julho, foram 390 unidades vendidas, número 20% superior às 324 unidades comercializadas em junho e também acima da média dos últimos 12 meses, de 336 unidades. Apesar do crescimento mensal, o resultado ficou 4% abaixo das 406 unidades vendidas em julho de 2025.
Em valor geral de vendas (VGV), foram comercializados R$ 409 milhões. O montante representa uma retração de 5,3% em relação a junho e queda de aproximadamente 30% na comparação com julho do ano anterior, quando o VGV chegou a R$ 586 milhões.
Lançamentos
Enquanto as vendas ganharam força, os lançamentos apresentaram forte retração. Em julho foram lançadas 54 unidades, correspondentes a R$ 34 milhões em VGV. Na comparação com junho, houve queda de 18% no número de unidades e de 81% no VGV.
Segundo o levantamento, julho registrou o menor patamar de lançamentos em VGV da série de 12 meses e o segundo menor em número de unidades. A diferença entre a retração das unidades e a queda do VGV indica uma concentração dos lançamentos em produtos de menor ticket médio.
Apartamentos de três dormitórios concentram valor
Os Studios e apartamentos de um dormitório representaram 51% das unidades vendidas em julho, com 191 unidades, mas responderam por apenas 22% do VGV, equivalente a R$ 85 milhões.
Já os imóveis de três dormitórios, embora tenham representado 33% das unidades vendidas, com 113 unidades, concentraram 60% do VGV, cerca de R$ 231 milhões. O ticket médio dessa tipologia foi aproximadamente cinco vezes superior ao dos studios.
O mesmo fenômeno aparece no histórico de lançamentos. Nos últimos 12 meses, studios e imóveis de um dormitório somaram 67% das unidades lançadas, mas responderam por apenas 26% do VGV. Por outro lado, apartamentos de três e quatro dormitórios representaram apenas 22% das unidades, mas concentraram 67% do VGV, equivalente a R$ 2,01 bilhões.
Menino Deus lidera em unidades; Bela Vista se destaca em valor
A distribuição geográfica também revela diferenças importantes no mercado porto-alegrense. Nos lançamentos dos últimos 12 meses, o Menino Deus aparece na liderança em número de unidades, com 861 imóveis lançados, equivalentes a 28% do total. O volume é mais que o dobro do registrado pelo segundo colocado, o Centro Histórico, com 381 unidades, seguido de perto por Moinhos de Vento, com 375.
Quando o critério é o valor dos lançamentos, porém, a liderança muda. O Bela Vista responde por R$ 662 milhões em VGV, ou 22% do total, refletindo a concentração de empreendimentos de alto padrão e maior ticket médio. O Menino Deus aparece em segundo, com R$ 493 milhões, seguido por Moinhos de Vento, com R$ 346 milhões, e Petrópolis, com R$ 274 milhões.
Nas vendas de julho, Menino Deus também liderou em valor, com R$ 49 milhões, ou 12,8% do VGV comercializado. Higienópolis aparece em seguida, com R$ 45 milhões, e Petrópolis, com R$ 42 milhões. Juntos, os quatro principais bairros, incluindo Moinhos de Vento, concentraram 46% do VGV vendido no mês.
Estoque cai 8% e chega a 5.539 unidades
Outro destaque do levantamento é a redução do estoque. Em julho, Porto Alegre contabilizou 5.539 unidades residenciais disponíveis, uma queda de 8% em relação às 5.980 unidades de junho e 5% abaixo da média dos últimos 12 meses.
Em termos financeiros, entretanto, o estoque permaneceu praticamente estável: o VGV disponível foi de R$ 8,55 bilhões, apenas 0,2% abaixo do registrado em junho e 2% abaixo da média dos últimos 12 meses.
A composição do estoque reforça a importância dos imóveis de maior padrão. Os apartamentos de três dormitórios representam 33% das unidades disponíveis, mas concentram 58,9% do VGV em estoque, cerca de R$ 4,64 bilhões. Somados aos quatro dormitórios, os imóveis dessas duas tipologias concentram R$ 5,83 bilhões, ou 44% do estoque total em unidades e uma parcela ainda mais relevante do valor disponível.
Entre os bairros com maior estoque em unidades estão Petrópolis, com 576 imóveis, Menino Deus, com 461, e Centro Histórico, com 375. Em VGV, a liderança fica com Moinhos de Vento, com R$ 1,15 bilhão, seguido por Bela Vista, com R$ 1,05 bilhão, e Petrópolis, com R$ 1,02 bilhão.
Acesse a síntese dos dados sobre o Panorama.
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