Mercado imobiliário registra forte expansão no primeiro semestre, mas cenário exige cautela
O mercado imobiliário brasileiro apresentou forte expansão no primeiro semestre de 2026, com crescimento nas contratações de financiamento e avanço no volume de crédito destinado ao setor. Os dados foram elaborados pelo Fórum de Economia do Sinduscon-RS, sob a coordenação de Tiago Jung Dias, trazendo uma análise dos principais indicadores econômicos e de seus impactos sobre o mercado imobiliário.
Entre janeiro e junho, foram contratadas 626 mil unidades, número 25% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025. O valor total emprestado alcançou R$ 173,1 bilhões, alta de 28% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O desempenho é explicado principalmente pela recuperação do crédito para construção com recursos do SBPE, pelo avanço das operações com recursos do FGTS e do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que registraram crédito recorde e ampliação dos tetos, além da continuidade da demanda por financiamento.
MCMV e SBPE impulsionam resultado
O primeiro semestre marcou um novo recorde histórico de expansão das contratações. O MCMV acumulou quatro anos consecutivos de crescimento, enquanto o SBPE apresentou seu melhor resultado desde 2021, com 277 mil unidades contratadas e R$ 93,7 bilhões em financiamentos.
Além do impacto direto sobre o mercado imobiliário, o MCMV contribuiu para a geração de 697 mil empregos diretos e indiretos e para um impacto estimado de R$ 145,9 bilhões no PIB, equivalente a 2,2% do PIB semestral.
Mercado de trabalho permanece positivo, mas renda acende alerta
O mercado de trabalho também apresentou melhora no segundo trimestre. A taxa de desemprego caiu para 5,4%, ante 6,1% no primeiro trimestre de 2026 e 5,8% no segundo trimestre de 2025. O número de pessoas ocupadas chegou a 103,1 milhões.
Por outro lado, a renda média mensal dos ocupados recuou para R$ 3.738, queda de 1,5% em relação ao primeiro trimestre, embora ainda represente alta de 2,8% na comparação anual.
Para o mercado imobiliário, a estagnação da renda real é apontada como um dos principais pontos de atenção, especialmente para o financiamento habitacional.
Inflação desacelera, mas perspectiva permanece cautelosa
Outro destaque do relatório é a desaceleração da inflação em agosto. O IPCA-15 registrou deflação de 0,40%, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 4,24%.
Apesar dos indicadores positivos no crédito e no emprego, a avaliação para a segunda metade do ano é de desaceleração gradual, sem expectativa de mudanças abruptas. O cenário, portanto, combina forte expansão do crédito imobiliário no primeiro semestre com sinais de maior cautela para os próximos meses. A manutenção da demanda por financiamento, a evolução da renda e as condições de crédito serão fatores determinantes para o desempenho do setor no restante de 2026.
