Alto custo do financiamento é o principal desafio do crédito imobiliário, apontam especialistas

Durante a segunda edição do Seminário de Crédito Imobiliário, realizado nesta sexta-feira (29/08) na sede do Sinduscon-RS, um ponto em comum marcou as falas de todos os palestrantes e do presidente da entidade, Claudio Teitelbaum: o problema central do crédito imobiliário hoje não é a falta de recursos, mas sim o custo elevado do financiamento. A taxa básica de juros, que mantém o crédito caro, tem sido a principal barreira ao crescimento do setor.
O presidente do Sinduscon-RS, Claudio Teitelbaum, abriu os debates destacando que a indústria da construção civil enfrenta um cenário de juros altos, inflação em torno de 5% e custo de capital elevado, o que freia novos investimentos. Segundo ele, embora existam diferentes opções de funding no mercado, muitas ainda são inviáveis pelo preço. “Eventos como o de hoje têm sido promovidos por entidades do setor com o objetivo de estudar alternativas”.
O presidente do Secovi-SP e da Comissão da Indústria Imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ely Werthein, abriu o primeiro painel do evento, que a solução deste grande desafio da construção passa por ajustes macroeconômicos, sobretudo na política monetária e fiscal. Werthein ainda destacou a importância da ampliação do mercado de capitais no financiamento imobiliário, que dispõe de abundantes recursos, mas sofre, igualmente, o entrave da taxa de juros elevada. “O problema é o preço do dinheiro, que afeta não apenas o mercado imobiliário, mas todo o ambiente de negócios no Brasil”, declarou.
O diretor executivo da Abecip, Filipe Pontual, apresentou um panorama nacional do crédito imobiliário. Ele apontou a retração de 58% nas concessões para construção em 2025 e alertou para a redução na captação líquida da poupança, pressionada pelos juros altos. Apesar disso, reforçou que há instrumentos disponíveis no mercado, como LCIs, CRIs e FIIs, que podem ampliar a participação do crédito imobiliário no PIB dos atuais 10% para 20% no longo prazo. “O crédito imobiliário brasileiro está em transformação e exige novas estruturas de financiamento”, destacou.
O superintendente de Produtos Imobiliários do Banrisul, Carlos Meireles, mostrou que o Rio Grande do Sul registrou forte retração em 2025, com 15,4 mil unidades financiadas até junho, contra 29 mil no ano anterior. Ainda assim, a carteira imobiliária do banco alcançou R$ 6,55 bilhões. Ele também destacou a destinação de R$ 1 bilhão para o Plano Empresário, apoiando construtoras e incorporadoras.
O diretor executivo de Habitação da Caixa, Roberto Ceratto, ressaltou que o banco já contratou R$ 926 milhões em financiamentos em 2025 e conta com uma carteira habitacional de R$ 848,5 bilhões. Ele destacou programas como o MCMV Classe Média e a Reconstrução RS, além de inovações como o Nato-Digital, que permite contratações totalmente online, e a tokenização habitacional via DREX, que garante mais agilidade e segurança nas transações. “O propósito da Caixa é transformar a vida das pessoas, ampliando o acesso à moradia com segurança, inovação e sustentabilidade”, afirmou.
Representando o BTG Pactual, Gabriela Nogueira, destacou o avanço das soluções de funding no mercado de capitais. Ela apresentou o crescimento expressivo dos Fundos Imobiliários e dos CRIs, mas alertou para os impactos da Reforma Tributária, que pode comprometer a atratividade do setor com a perda da isenção fiscal. “Incentivos não são privilégios, mas políticas públicas essenciais para o desenvolvimento do setor imobiliário”, defendeu.
Apresentações
Ely Wertheim (CBIC e SECOVI-SP)
2º Seminário do Crédito Imobiliário
Patrocínio master: Banrisul, Gerdau, Tintas Killing, Sulgás
Patrocínio prata: Caixa – Governo Federal
Apoio: Sistema Fiergs
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